Ora, ora, Maria!

sábado, 10 de abril de 2010

Santa Catarina em Calendário



O MONTE DO FACHO



O Monte do Facho ou monte de Santa Catarina como é mais conhecido, é um excelente local panorâmico, situado a dois quilómetros da cidade de Vila Nova de Famalicão. Nesta zona montanhosa predominam eucaliptos (são uma praga neste monte!), alguns pinheiros bravos e sobreiros. O seu revestimento, isto é, a vegetação arbustiva e rasteira, consiste fundamentalmente em fetos, giestas, silvas, urze, tojo e codeço.
Este monte do Facho tem de cota cerca de 229 metros, "mas esta de tal maneira situada que se vê do alto de um horizonte vastíssimo de muitas léguas em redondo". Aliás, diz-se que do cume se pode ver, em dias de céu limpo, o mar.
O jornalista do jornal "A Época" de 1924 repete quase as mesmas palavras do já octagenário fidalgo José de Azevedo Menezes, da casa do vinhal, ao dizer deste monte que é um "cabeço arredondado que se levanta no centro da veiga extensa, sem que nada lhe corte o horizonte num perímetro de muitas léguas" e acrescenta mais à frente que do alto do monte se avistavam "campos extensos e verdejantes, cortados por filas de choupos, carvalhos e cerdeiras, a mancha verde escura dos pinhais a cobrir as lombas dos outeiros... e as aldeias aconchegadas à volta dos campanários que emergiam da verdura".
No sopé do monte havia "algumas casas pobres, de granito, ensombradas por densas latadas."
Do pouco que lemos, pareceu-nos entender que o monte, no primeiro quartel no século-xx não tinha quaisquer árvores, a não ser os centenários sobreiros que ainda hoje se podem ver junto à capela e alguns espalhados pelo monte, por outro lado, em 1923, Alberto Veloso, ao preconizar a necessidade de aproveitar melhor aquele local em termos turísticos e paisagísticos, afirma que o monte se encontra vestido apenas "pelo tojo e rosmaninho, rasteira vegetação". E no jornal A Época diz que "Uma das aspirações de Famalicão... é a arborização do Monte do Facho, pequena elevação de terreno, na freguesia".
Data de 1923 a construção da estrada até ao edifício (próximo da casa dos Vieira de Castro) que era para ser um Sanatório - "obra iniciada por um filho da terra, por subscrição no Brasil, e hoje absolutamente abandonada, quando se achava perto do remate."
No terreiro da capela podem admirar-se alguns sobreiros centenários e tílias jovens que foram plantadas pelo sr. Américo José Reis.



A VIDA DE SANTA CATARINA


A vida de Santa Catarina foi um pouco dramática. Ela nasceu em Alexandria que fica no Egipto. Pela sua sabedoria dedicou a sua infância ao estudo das letras sagradas.
Maximino, o príncipe, na altura imperador da cidade de Alexandria, publicou um édito em que o povo tinha de adorar os seus deuses fazendo sacrifícios.
Catarina tentava dar a perceber aos cristãos que Deus era o único Deus, o criador do céu e da Terra, e que esses deuses não existiam. Com a ajuda de um anjo, Catarina conseguiu transformar os filósofos em cristãos, fazendo-lhes acreditar que o Deus em que acreditava era o único Senhor do céu e da Terra.
Furioso, o Imperador mandou prender Catarina. Na prisão, ela converteu todos os presos ao cristianismo.
Quando foi decapitada, da sua ferida, em vez de sangue saiu leite.
O corpo foi transportado ao monte Sinai, ao som de cânticos cantados por anjos que desceram do céu.


O MOCHINHO


O mochinho foi erigido no lugar onde, dizem, apareceu a Santa Catarina, e encontra-se semi-abandonado, em más condições de conservação, prestes a ruir, o que é de lamentar.
É um monumento já bastante antigo, provavelmente anterior à capela, construído em cima de dois penedos, todo em granito, com planta quadrangular, quatro colunas cilíndricas a segurar a cobertura que é de pedra, e em cima, no meio, pode ver-se uma cruz de cimento que possivelmente está a substituir a original que seria de pedra. No seu interior, no tecto, tem algumas tábuas a fazerem de pombal, colocadas ali pelo inquilino da casa junto à capela para abrigarem as suas pombas.



A CAPELA


No monte do Facho, a meio da encosta, situa-se, voltada para poente, a capela "dedicada a Sta. Catarina e fundada pelos avós do ilustre conde de S. Martinho ". Bem, isto é o que diz o jornalista do jornal «A Época»,alguém pouco esclarecido acerca da História Local, uma vez que, na verdade, a origem da sua fundação é desconhecida, porém já em documentos se pode ler que em "1633 se celebrava n'esta missa ha annos, sem outros títulos conhecido senão o costume.
Parece ter sido reedificada por cerca de 1800".
Noutro apontamento de Vasco de Carvalho, bebido no livro do Tombo da freguesia que começa em 1713 e acaba em 1795, vem escrito que "se diz missa ha mais de oitenta annos e não tem outra licença mais qu'esta posse, ou titulo de tantos annos, e he fabricada pelos fregueses."
A propósito das obras de restauro da capela, nos seus apontamentos, Vasco de Carvalho afirma que em 1925 a Comissão deu «início à reforma da capela e outras obras».
Numa placa em mármore existente no interior da capela pode ler-se: «Esta capela, foi mandada restaurar pela Comissão de festas do ano de 1968, composta pelos seguintes elementos:

João da Costa Guimarães
Alfredo Correia
José Passos de Sousa
Fernando Alves da Silva
Joaquim da C. Guimarães
Joaquim Rebelo de Pinho


Logo que se entra na capela pode ver-se do lado esquerdo um armário (afirmou-nos o sr. Américo que naquele local existia uma porta que fecharam e em seu lugar colocaram aquele armário com imagens e velas de cera ) e logo a seguir um pequeno púlpito em pedra com uma grade.
Quanto ao altar esse é simples, feito em madeira e pintado de azul e bege com uma suave decoração de motivos vegetalistas dourados, encontrando-se ao centro, num nicho, uma imagem média de Santa Catarina, e a ladeá-la as imagens de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro ( lado esquerdo ) e de Santa Maria Goretti ( lado direito ). Suspensa na parede , junto à porta que dá acesso à pequeníssima sacristia, num pequeno altar encontra-se a imagem de Nossa Senhora da Paz. Do lado oposto, a sul, temos uma porta estreita que também dá acesso para o exterior.



CRUZEIRO


O cruzeiro do Monte do Facho é em cimento, situando-se no cimo de uma rocha , próximo da "casa do francês", voltado para nascente, digamos que em frente à capela, e foi inaugurado em 26 de Setembro de 1954.
Não tem nenhum pormenor que mereça destaque, a não ser a seguinte inscrição numa pedra em mármore:


“Em comemoração das Festas Centenárias
da Virgem Imaculada, rainha da Paz
26-9-1954”


Num panfleto distribuído nesse ano, pode ler-se:

“NO MONTE DO FACHO

Inauguração do Cruzeiro Comemorativo do Ano Mariano.
Festa em homenagem à Senhora da Paz.
Peregrinação - Missa Campal e Sermão.
De tarde - Festa das Merendas e Quermesse.”



OS CORÊTOS

Actualmente existem no monte de Sta. Catarina dois corêtos de planta octogonal e construção idêntica, destinados a duas bandas de música que costumam tocar nas festas de Sta .Catarina.
Quanto ao mais antigo, segundo Vasco de Carvalho foi em 1929 que começou a «reclamar-se a instalação, no monte, de um corêto, além de outros melhoramentos no arraial.
Dessa tarefa se desempenhou com maior sucesso a Comissão de 1930, à frente da qual se encontrava Adelino de Sousa ».
Mais tarde, em virtude de existirem duas bandas de música nas festas, e como havia necessidade de trazer para ali um corêto, em madeira, para uma segunda banda actuar, então a Comissão de festas de 1958 mandou construir um igual ao que já existia, no lado oposto do largo, quase mesmo em frente ao primeiro. Neste novo corêto, do lado direito da capela, colocaram uma placa em mármore que diz: «Construído pela Comissão de festas do ano 1958 ». A seguir vêm os nomes dos doze elementos pertencentes a esta Comissão e responsáveis pela sua construção.



FONTANÁRIOS


Nesta zona parece não haver muita água, uma vez que há minas que já secaram, e, no Verão, apenas um dos dois fontanários existentes verte água.
Data da década de vinte, de quando se fizeram alguns melhoramentos no largo do monte, a construção do primeiro fontanário lá em cima ,na extremidade do largo.
Actualmente, infelizmente está atolado de pedras e lixo, e a água corre ao lado. Diz o sr. Américo que a torneira está tapada porque alguns vândalos que por ali passam partem as torneiras, por isso não ouve outra solução senão vedar a torneira; mas em dias de festas voltam a ligá-la.
É de salientar que este fontanário tem uns azulejos muito bonitos, embora alguns já partidos, com o seguinte texto:


"Já fui cândido orvalho
E onda do mar
E nuvem do ar...
Agora vede:
Mudei-me em doce linfa transparente
Para dar de beber piedosamente
A quem tem sede.»


O fontanário mais recente data de 1988 e está situado junto ao coreto, do lado direito da capela.
Como a água é pouca, diz o Sr. Américo que quando alguém vai lá buscar muita água, ou se deixarem a torneira aberta, o depósito que se encontra no monte, um pouco acima do outro fontanário, esvazia e fica sem água a correr em ambos os fontanários.



A FESTA


A festa de Santa Catarina realiza-se geralmente no último Domingo de Junho ( de acordo com o sr. Américo, depende da festa de S. Pedro, ou seja, por exemplo, se esta calhar numa Terça-feira, a de Santa Catarina passa para o primeiro Domingo de Julho). Este ano a festa calha nos dias dois, três e quatro de Julho.
Nos apontamentos de Vasco de Carvalho lê-se que em "1713 já se faziam as festas de Santa Catarina no monte da Magida na qual se diz missa há mais de oitenta anos", isto é, feitas as contas, remontam, pelo menos, a cerca de 1635. Diz ainda que se faz "ali uma romaria anual muito concorrida, de sorte que o público está já habituado a frequentar o sítio".
Esta festa tem carácter religioso e profano, pois, no Domingo, além de ter procissão com vários andores, seguida de missa, também tem durante a tarde a festa das merendas com familiares e amigos reunidos em alegre confraternização cada qual com a sua merenda. Há por ali, no largo e junto à capela, algumas barraquitas de “comes e bebes” exploradas por particulares, e algumas mesas e bancos em cimento por onde se espalham as pessoas a comer e a beber.
São festas organizadas por comissões ocasionais e têm a "presidi-las" o denominado juiz da festa. A actual comissão já organiza as festas há três anos e até realizou algumas obras de melhoramentos no largo, nomeadamente a pintura dos corêtos, a cimentação do pavimento do átrio da capela e a limpeza do largo. Os gastos são suportados pelos comerciantes e por sorteios tradicionais de um touro no final das festas.


A sua duração é de três dias, havendo habitualmente na Sexta-feira à noite música e comes e bebes; no Sábado a mesma coisa, só que à noite há também fogo de artifício; e, no Domingo há procissão de manhã, desde a igreja matriz com início às 11:00 horas da manhã, até à capela onde chega por volta das 12:30 horas, seguindo-se missa campal, e de tarde a já mencionada festa das merendas e ranchos folclóricos a actuar.



BIBLIOGRAFIA

- Apontamentos de Vasco de Carvalho

- Terras de Vila de Famalicão

- "Calendário" in Suplemento do Jornal Primeiro de Janeiro

- Enciclopédia Luso-Brasileira da Cultura

terça-feira, 6 de abril de 2010

videoDocumentário francês sobre a amarula, fruto africano

Uma vez por ano esta árvore produz o fruto amarula, delicioso mas com um teor elevado de álcool (17%).

Nessa época os animais deslocam-se para o comerem, e o mais engraçado é que se ajudam uns os outros para o degustarem... e ficam com uma grande bebedeira! Não sabiam desta pois não? Também julgavam, tal como eu que apenas o bicho Homem tomava a piela?! Realmente a mãe Natureza surpreende-nos cada dia com mais e mais novidades.

Deliciem-se a ver o vídeo!!!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Gripe A

videoVídeo didáctico para crianças

Também podes ver:

"Sem abraço, sem beijinho, sem aperto de mão... " sem nada!

Está giríssimo!!!

http://www.youtube.com/watch?v=k9kf5n3Wmh4

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Jogos populares da minha terra


Revivalismo...


Arrebenta balões


Material: * balões
* farinha
* água
* pau
* fio
* prémios

Regras: Podem jogar os jogadores que quiserem, mas só um de cada vez. Penduram-se os balões: um com água, outro com farinha e um terceiro com um prémio. Tapam-se os olhos ao jogador com um pano e, de olhos vendados, com um pau na mão, ele tenta arrebentar o balão que tem o prémio.



Cabra-cega

Material: * um lenço
* 3 ou mais jogadores .

Regras: Um jogador venda os olhos àquele jogador que, com olhos vendados, tentará apanhar um dos outros. Quem descobrir os outros jogadores com os olhos vendados ganha. O jogo demora 15 minutos .


Corrida de sacos


Material:

* 2 ou mais sacos de ráfia.
* 2 ou mais jogadores .
* giz

Regras: Risca-se no chão o local de partida e de chegada. Cada pessoa enfia-se dentro do seu saco, coloca-se em posição vertical, segura com as mãos as abas do saco, e só quando o juiz do jogo dá a partida é que podem correr, aos saltos, até à meta . Quem chegar primeiro ganha.

Pontuação: o a 20 pontos.

Dá-me lume


Material:

* um giz
* um pau
* 3 ou mais jogadores

Regras: Faz-se um círculo para cada pessoa, menos para uma que vai andar à roda de cada círculo a pedir lume com um pau. Enquanto essa pessoa pede a um jogador lume, as outras que estão nos outros círculos mudam (trocam) para outro círculo. Se a pessoa que está a pedir lume, entretanto, conseguir entrar num círculo momentaneamente vago, a outra que ficou de fora substitui-a a pedir lume. Qualquer jogador pode começar o jogo. O jogo demora o tempo que nós quisermos e ganha quem tiver mais pontos .

Esconde-esconde

Material: * 3 ou mais jogadores

Regras: Um dos jogadores mucha e os outros escondem-se e o jogador que estava a muchar vai ter de os encontrar os que estavam a muchar. Depois vai ter de ir a correr ao lugar onde muchou e dizer 1, 2, 3 e o nome da pessoa. O jogo dura mais ou menos 20 minutos e ganha quem se livrar. Inicia-se o jogo quando um jogador começa a muchar.


Fita-azul

Material:

* uma fita azul

*5 ou mais jogadores

Regras: Faz-se uma roda, vai um ao meio e, depois, começa-se a andar à roda do que está no meio. Inicia-se o jogo quando alguém vai ao meio. O jogo demora 5 minutos.


Lencinho


Material : * um lenço
* 5 ou mais jogadores


Regras: Faz-se uma roda , um dos elementos fica de fora e anda á roda com o lenço, deixa-o cair atrás de alguém , depois foge e o outro que ficou com o lenço tenta apanhá-lo. A pessoa que está com o lenço é que inicia o jogo. O jogo dura 15 minutos e ganha quem apanha o lenço e caça quem o deixou cair.

Malha

Material: * quatro malhas
* dois mecos
* quatro jogadores

Regras : Um dos jogadores atira a malha e tem de tentar acertar no meco ou ficar perto dele. Coloca-se os mecos a 1 metro de cada jogador. Demora 15 minutos. Atira-se à sorte a ver quem começa o jogo. Ganha quem tiver mais pontos e acertar no meco.

Pontuação: 1 ponto se ficar perto do meco .
3 pontos se acertar no meco .
15 pontos muda-se de campo.
30 pontos acaba o jogo .

Pau ensebado

Material:

* um pau alto
* sebo
* um prémio
* jogadores

Regras: O pau é ensebado e na ponta deste coloca-se o prémio .Só pode jogar um de cada vez e as regras do jogo são :cada jogador tenta subir o pau, até conseguir chegar ao prémio, vencendo, e ganhando, deste modo, o prémio. O primeiro a subir ao pau inicia o jogo. O tempo que dura é de 20 minutos .


Pedreiro

Material:

* 3 pedras
* 3 paus
* giz
* 2 jogadores

Regras: Temos de fazer um quadrado no chão e dentro um asterisco. A seguir mete-se uma pedra ao meio, vai-se jogando sem deixar o companheiro fazer 3 em linha. Quem inicia o jogo é o das pedrinhas. Dura 10 minutos e ganha quem fizer 3 em linha .


Pião

Material: um pião e uma baraça (cordel).

Regras: Primeiro faz-se um círculo no chão com um metro ou um metro e meio de raio; depois, o concorrente, de acordo com a ordem indicada, lança o pião com uma das mãos para dentro do círculo, sem deixar escapar a baraça que enroscara à sua volta. É permitida uma segunda tentativa.
Joga um elemento de cada equipa, saindo vencedor o que conseguir fazer rodopiar durante mais tempo o pião sem sair do círculo.

Pontuação: de 0 a 50 pontos.

Sueca

Material: * um baralho de cartas
* dinheiro (não é obrigatório)
* 4 jogadores

Regras: Baralham-se as cartas e dão-se 10 a cada jogador. É obrigatório assistir se tiver, existe uma pinta que é o trunfo. O grupo que fizer mais pontos ganha .A pontuação faz-se contando o valor das cartas . O jogo demora cerca de uns 10 minutos .

sábado, 18 de julho de 2009

História para crianças, em vídeo

http://flocos.tv/curta/a-flor-mais-grande-do-mundo/

1º Prémio de Cinema Ecológio

Título: A flor mais grande do mundo
Autor: José Saramago

sexta-feira, 17 de julho de 2009

POESIA... fala por mim...

NUNCA ESTEVE TÃO ACTUAL!

A poesia de Rui Barbosa (poeta brasileiro), apresentada a seguir, poderia ter sido escrita hoje, sem mudar uma palavra.

SINTO VERGONHA DE MIM

Sinto vergonha de mim
por ter sido educador de parte deste povo,
por ter batalhado sempre pela justiça,
por compactuar com a honestidade,
por primar pela verdade
e por ver este povo já chamado varonil
enveredar pelo caminho da desonra.

Sinto vergonha de mim
por ter feito parte de uma era
que lutou pela democracia,
pela liberdade de ser
e ter que entregar aos meus filhos,
simples e abominavelmente,
a derrota das virtudes pelos vícios,
a ausência da sensatez
no julgamento da verdade,
a negligência com a família,
célula-Mater da sociedade,
a demasiada preocupação
com o 'eu' feliz a qualquer custo,
buscando a tal 'felicidade'
em caminhos eivados de desrespeito
para com o seu próximo.

Tenho vergonha de mim
pela passividade em ouvir,
sem despejar meu verbo,
a tantas desculpas ditadas
pelo orgulho e vaidade,
a tanta falta de humildade
para reconhecer um erro cometido,
a tantos 'floreios' para justificar
actos criminosos,
a tanta relutância
em esquecer a antiga posição
de sempre 'contestar',voltar atrás
e mudar o futuro.

Tenho vergonha de mim
pois faço parte de um povo que não reconheço,
enveredando por caminhos
que não quero percorrer...

Tenho vergonha da minha impotência,
da minha falta de garra,
das minhas desilusões
e do meu cansaço.

Não tenho para onde ir
pois amo este meu chão,
vibro ao ouvir o meu Hino

e jamais usei a minha Bandeira
para enxugar o meu suor
ou enrolar o meu corpo
na pecaminosa manifestação de nacionalidade.

Ao lado da vergonha de mim,
tenho tanta pena de ti,
povo deste mundo!

'De tanto ver triunfar as nulidades,
de tanto ver prosperar a desonra,
de tanto ver crescer a injustiça,
de tanto ver agigantarem-se os poderes
nas mãos dos maus,
o homem chega a desanimar da virtude,
A rir-se da honra,
a ter vergonha de ser honesto'.

Rui Barbosa

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Zé da Costa, mestre da Banda dos BV de Famalicão

Zé da Costa
Desde pequenina que oiço falar no avô materno da mãe com muita admiração e carinho. Em casa da avó Justina até havia um retrato dele de meio corpo com o traje de bombeiro! E quando a avó faleceu, da corporação pediram uma cópia do tal retrato...
Era mestre da banda de Música da Associação dos Bombeiros Voluntários de Famalicão, falado nos jornais, nos escritos de Vasco de Carvalho, e durante muito tempo recordado por familiares e conhecidos, pela fama que grangeou com sua Banda, mas também pelas peças musicais que escreveu, tendo, inclusive, ganho um prémio com uma música de sua autoria num concurso de bandas em Espanha. Afirma Vasco de Carvalho “celebrou-se como regente desta Banda, e foi autor de algumas peças próprias para este género musical.”E onde param essas peças? Que é feito delas? Continuam a ser tocadas? E a quem atribuem o autor?
José Maria da Costa era natural de S. Tiago de Antas, filho do tamanqueiro José Rodrigues da Costa e de Ana Joaquina da Silva residentes nesta freguesia. Teve uma alfaiataria e uma padaria, mas destacou-se como músico.
Casou por duas vezes e de ambos os matrimónios teve filhos. A segunda vez que se casou foi com a brasileira D. Balbina Ferreira Barbosa, conhecida por D. Binoca, filha de um emigrante famalicense no Brasil pra onde terá ido com cerca de dois anos de idade, segundo contava a filha Iracema.
Em 1917 terá tocado o Hino da monarquia, na Trofa, já em plena República, e desde então entrou em descrédito como homem e músico. Faleceu na Rua Direita de endocardite crónica, com 64 anos, à 1h30m, de 24 de Fevereiro de 1921.